Entrevista com Boris Kossoy

Entrevista com Boris Kossoy

Bernardo Buarque de Hollanda e Daniela Alfonsi

A ideia de uma entrevista com Boris Kossoy surgiu no final de 2017. Boris fora convidado pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) para participar no Rio de Janeiro, em 27 de novembro daquele ano, do Seminário Dicionários histórico-biográficos: desafios metodológicos e novas tecnologias. O convite se devera à expertise do autor com o Dicionário histórico-fotográfico brasileiro: fotógrafos e ofício da fotografia no Brasil (1833-1910), lançado em 2002 pela editora do Instituto Moreira Salles. Essa publicação, por sua vez, remontava a uma tese de livre-docência defendida na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), em 2000, como resultado autoral de con- versão das pesquisas sobre a imagem fotográfica, iniciadas nos anos 1970, na sistemática de verbetes para um dicionário, desenvolvido ao longo da década de 1990.

A palestra de Kossoy nos deixou atraídos não só por sua didática expositiva como também pelas inúmeras afinidades temáticas despertadas por seu trabalho institucional e por sua trajetória profissional. Afora o aporte teórico na relação entre história e iconografia, caro à reflexão historiográfica, interessamo-nos por sua experiência de gestão à frente do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP), no início dos anos 1980. Em particular, nosso interesse se relacionou mais diretamente ao programa de História Oral, criado pelo professor durante o período em que dirigiu o MIS-SP (de outubro de 1980 a março de 1983).

A importância e a riqueza dos depoimentos colhidos junto a inúmeras personalidades da área cultural, artística e acadêmica brasileira podem ser aferidas no site da instituição. Nesse sentido, procuramos na entrevista a seguir compreender em maior profundidade as circunstâncias políticas de sua atuação naquele período de reabertura democrática no Brasil, em que parte da “memória nacional” voltava a ser falada e documentada.

Nascido em São Paulo, no ano de 1941, Boris Kossoy é descendente de imigrantes que chegaram ao Brasil nos anos de 1920, seu pai de Odessa (na época, Rússia), e sua mãe de Cracóvia, Polônia, e que no Brasil se conheceram. Formou-se em arquitetura nos anos 1960 e atuou como fotógrafo profissional de inúmeras agências, estúdios e revistas, paralelamente a uma carreira autoral.

Na Academia, a partir dos anos 1970, desenvolveu trabalho reflexivo sobre o estatuto histórico da fotografia nas Ciências Sociais, obteve os títulos de Mestre e Doutor pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Iniciou carreira no magistério na Faculdade de Comunicação Social Anhembi e, em seguida, no curso de especialização em Museologia. Desde finais dos anos 1980, passou a ministrar cursos de pós-graduação na qualidade de Professor Convidado, inicialmente no Departamento de História da USP e, a seguir, na Escola de Comunicações e Artes da USP. A partir de então, seu vínculo foi definitivo com essa universidade: em 2000, defendeu tese de livre-docência e, em 2002, concorreu para o cargo de professor titular da Universidade de São Paulo.

É ensaísta, curador e autor de 17 livros (dois em coautoria com a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro), alguns deles traduzidos e publicados no exterior. Teve muitas de suas fotografias expostas e adquiridas por instituições internacionais de ponta, como o MoMA, o Metropolitan Museum of Art (ambos em Nova Iorque), a Biblioteca Nacional da França, o Museu de Arte de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea da USP, Centro de la Imagen, do México, entre outras instituições públicas e privadas no Brasil e no exterior.

A entrevista a seguir foi filmada por João Paulo Pugin Souza, na cidade de São Paulo, na residência do entrevistado, bairro do Brooklin, numa manhã de segunda-feira.

Leia na íntegra: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view/77150/74308

 



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