Busca-me, 2013

Em Busca-me, o voyeur segue sua caminhada à procura de personagens, lugares e situações pretensamente conhecidas. Vividas? Um roteiro imaginado, entre muitos outros, de situações, prazeres, amores, perfumes e dores que afetaram para sempre seus sentidos. Rememorações talvez? De qualquer modo, impressões/imagens fugazes que, vez ou outra, flutuam em nossas mentes, sem formas definidas, no entanto, curiosamente familiares. Passando por eterminado lugar, uma motivação interior o estimula a registrar algo, alguém. Intuição, quem sabe?

Registros de aflição e desejo se movem nos subterrâneos das memórias de vida; amnésia aparentemente indecifrável de histórias passadas. Grades a conter voos de descoberta sobre corpos imaginários ou esquecidos em sua intimidade, em sua sensualidade, em seus silêncios. Seres das representações a se confundirem com personagens da vida real. Criaturas do mundo real e de mundos paralelos a implorarem, a suplicarem por suas memórias anteriores. Memórias afetivas desfeitas que clamam por seu retorno qual entidades que pedem para ser tiradas do esquecimento e do desconhecimento.

Busca-me na floresta e nos arbustos, no mar e nas montanhas, nas ruas e nas praças, nas casas e nos hotéis, pelas janelas, diante de espelhos, no interior de vitrines, nas telas do cinema e da TV e dos aparelhos eletrônicos.
Em Busca-me vemos personagens desse teatro imaginário onde coabitam seres dos dois mundos e imaginamos os espectadores com eles interagindo numa relação secreta e triangular. Janelas de onde olhei, janelas para onde olhei. Intimidades devassadas.

Busca-me, território de ambiguidades e incertezas que amedrontam e seduzem a provocar o espectador-voyeur das imagens; a convidá-lo para uma imersão conjunta numa viagem pelo fantástico. Uma viagem de resgate e reencontro, sofrida e amorosa, em busca de memórias nebulosas, embaçadas, entrelaçadas, enfeitiçadas… de outros tempos, perdidas na escuridão das mentes, formatadas a cada novo ciclo do trajeto de cada um. Busca-me…

 



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