Os Outros, 2012

Filmes. Sexo. Mistério. Blade Runner. Aquele que parece um outro mundo (e não o nosso) e que está sendo inteiramente vendido. O olhar triste do manequim em todos os estratos sociais. A matéria plastificada imaterial. Quem olha para quem? No meio do mato pode haver um monstro. No decalque de uma porta de entrada, ele, o mesmo ET que por quase toda a vida sempre esteve presente nas fotografias de Boris Kossoy, desde que aquele disco voador pintou no céu de São Paulo, em 1955. O disco voador e seus habitantes nas ruas das cidades. Eles, os outros. O fotógrafo os encontra constantemente. Serão íntimos dentro do mesmo olhar. Como se fossem gente. Mas apenas os que sabem ver poderão enxergá-los.

Busca-me, a nova série inédita do fotógrafo e pensador Boris Kossoy, trata de fotografias para ir além. Cada imagem não será apenas uma imagem. Nem em seus signos nem em suas representações. Cada imagem contém a vida inteira do fotógrafo como instrução de uso. Uma cápsula do tempo. Depois da exposição realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2008, ele recolheu-se outra vez (em casa e em vários países do mundo), e agora está de volta para nos dizer, profundamente, que uma fotografia “não possui apenas uma face exterior”. E que, não sendo exterior, um dos seus manequins poderá inclusive sorrir, ou derramar uma lágrima. Poderá ser tão real e nada ilusória como a paisagem vista de uma janela, em Detroit, naquele momento em que se recuperava de um período frágil em sua vida (página 39). A fotografia é precisa: domina o tempo, o espectador sente a presença do homem invisível querendo sair para encontrar o sol, se aproximar do hidrante vermelho que, como os ETs, estão de volta. Os hidrantes, os ETs ou a natureza onde, novamente, no meio das folhas encontraremos outra máscara, um grito.

Busca-me é também a forma como o fotógrafo trata o desejo. A primeira infância. O cinema de Bergman em que alguém sozinho para sobre um viaduto em Viena. Gustav Klimt no meio da rua. Outro grito. Fausto. O apelo à memória. O apelo à cultura de cada lugar. O ET dentro do crânio. Para Boris Kossoy todos esses fantasmas existem numa fotografia em que os pequenos detalhes marcam a sustentação, o rigor técnico. Ou tudo ou nada. A fotografia não possui apenas uma face exterior. O artista abre novamente a janela para ver uma cena renascentista que “está na cabeça de todos nós”. Sempre as janelas. Nada é gratuito. Outro manequim subumano por trás das grades de uma loja qualquer. O arrebatamento continua – mesmo que por trás das grades. O reflexo das vitrines onde aparece uma terceira dimensão. Interferência urbana. A relação interrompida nas figuras da vida cotidiana onde o olhar atravessa a imagem. A dicotomia entre anjos e demônios. A fotografia não possui apenas uma face interior. Busca-me.

 



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